Hoje, 2 de dezembro, é o Dia Nacional do Samba

Neste sábado, (02) de novembro é comemorado o Dia Nacional do Samba.

    • Por Rodrigo Adão

Neste sábado, (02) de novembro é comemorado o Dia Nacional do Samba. A data surgiu por meio de uma iniciativa do vereador baiano, Luis Monteiro da Costa, para homenagear Ary Barroso que fazia sucesso com a composição de “Na Baixa Do Sapateiro” e havia realizado a primeira visita à Bahia. Com a iniciativa do vereador, o ex-prefeito Virgildásio Senna sancionou em 1963 a ideia da festa que se espalhou pelo o Brasil e se tornou uma comemoração nacional.

A história do samba no Brasil tem uma cultura bem rica e interessante, desde a época em que a casa da Tia Ciata foi o local de composição da canção “Samba carnavalesco”, grande sucesso do carnaval de 1917 no Rio de Janeiro. O sucesso gerou polêmicas com o registro realizado pelo Donga na Biblioteca Nacional em 27 de novembro de 1916, com isso a transmissão foi realizada por telefone e colocada como composição em parceria com o cronista de carnaval Mauro de Almeida.

Se o assunto é samba a história é longa, na canção “Samba da Minha Terra” o compositor Dorival Caymmi dizia: “Quem não gosta do samba bom sujeito não é, ou é ruim da cabeça ou doente do pé...”. É impossível falar sobre samba sem lembrar da Velha Guarda, nomes como Adoniran Barbosa, Ary Barroso, Ataulfo Alves, Demônios da Garoa, Cartola, Maysa, Noel Rosa, Pixinguinha, Zé Ketti e outros sambistas que marcaram épocas.

Projeto de Sucesso

A capital mineira também é rica em cultura e tem grandes histórias do samba, Belo Horizonte é a sede do Projeto Cantando e Contando a História do Samba. Idealizado pela cantora Elzelina Dóris, o projeto conta e valoriza a história do samba, gênero musical de raízes africanas surgido no Brasil, considerado uma das principais manifestações culturais populares brasileiras, como produto da resistência da cultura negra.

Esse ano foi comemorado 17 anos de trajetória, segundo Elzelina Dóris “O projeto é desenvolvido em escolas da rede pública e particular, buscando o envolvimento dos professores das diversas áreas do conhecimento, por meio de seminários e minicursos a partir de atividades lúdicas, pedagógicas com base na musicalidade rítmica do samba e abrange o conhecimento sobre a história da África e a importância da cultura afro-brasileira para a afirmação da identidade étnica racial”, detalhou.

O trabalho já foi realizado em 379 locais entre escolas, comunidades e centros culturais, no formato de seminário e atendimento direto nas escolas. Envolveu cerca de 4.374 professores entre educadores, pesquisadores, estudantes universitários, gestores públicos, acadêmicos, movimentos sociais e entidades afins e 113.100 alunos. “As metodologias utilizadas são de sugestões, orientações quanto às formas de incorporar a história do samba em conjunto com a cultura africana em cada disciplina, envolvendo desde as aulas de Artes e História até as aulas de Matemática e Química, constituindo uma interdisciplinaridade. Pesquisar a biografia dos compositores(as), interpretes, analisar as letras dos Sambas e analisar seu contexto histórico, são uma das atividades sugeridas aos professores para serem desenvolvidas em sala de aula com os estudantes.  Cada seminário conta também com a presença de um palestrante de renome nacional e era encerrado com apresentações culturais locais. Participaram em palestras e conferências convidados como: Nei Lopes, Ana Célia (Ilê Ayê), Adilton de Paula, Helena Teodoro, Acir Antão, Nilcemar Nogueira entre outros”, conta Dóris.

 

Biografia Dóris Samba

 

Elzelina Dóris dos Santos, mineira, nascida em Belo Horizonte, com formação acadêmica em Ciências Contábeis, além de pesquisadora e educadora, é autora do Projeto Cantando a História do Samba e atua como intérprete desde 1997. DÓRIS, uma das mais notáveis e raríssimas cantoras mineiras, não perde o prazer de interpretar e cantar com emoção momentos importantes da história do samba.

 

 

 

 

Foto: Rosa Amélia

 

Entrevista Exclusiva com Elzelina Dóris:

Agitaê Brasil: O que te levou a idealizar o projeto?

Elzelina Dóris: Lecionava na Escola Profissionalizante Raimunda da Silva Soares, localizada na Pedreira Prado Lopes que oferecia cursos para jovens e adolescentes. Um dia, convidei meus alunos para assistirem ao meu show e quando eles me perguntaram o que eu cantava, respondi; Samba! Eles pediram para eu dar uma “palinha” e cantei um Samba do Cartola, chamado “Tive Sim”. Surpresos, eles disseram que não conheciam, mas que era muito legal. Fui embora nesse dia me perguntando onde as crianças, os jovens, os adolescentes e adultos tinham oportunidade de escutar e conhecer a História do Samba? Histórias, que através de suas letras, falam de denúncia, resistência, amor e lamento com ritmos, poesias e muito batuque. Surgiu daí a proposta pedagógica e sociocultural do Projeto Cantando e Contando a História do Samba, com objetivo de contribuir com a divulgação e valorização da nossa história, nossa cultura, nossa música e assim fortalecer a identidade e autoestima, dos estudantes negros e não negros, ou seja, de todo povo Brasileiro.

Agitaê Brasil: Fale um pouco sobre o seu gosto pelo o samba.

Elzelina Dóris: Samba sempre presente na minha infância, adolescência, na minha vida! Foi com Ele e através dele que na fase adulta tive respostas “aos porquês” de tanta discriminação. Foi ele que me embalou os sonhos e a vida. O Samba é o nosso Patrimônio em matéria de arte e cultura. É a herança que nosso povo negro deixou.

Agitaê Brasil: Quais as suas principais influências na música?

Elzelina Dóris: São várias as influências começando por Maria Alcina na sequencia Elizete Cardoso, Clementina de Jesus, Alcione, Beth Carvalho, Clara Nunes, Marisa Monte, Margarete Menezes também Pixinguinha, Nelson Cavaquinho, Zé Ketti, Luiz Melodia, Ronaldo Coisa Nossa e tantos outros e outras.

Agitaê Brasil: Entre as músicas do CD “Dóris Canta Samba”, quais são as favoritas?

Elzelina Dóris: Gravei Sambas de compositores mineiros e são eles, Ataulfo Alves, Sérginho Beagá, Toninho Geraes, Ricardo Barrão, Ronaldo Coisa Nossa, Thito França, Cabral e Luiz Carlos da Vila (Carioca) e todas são favoritas.

 Agitaê Brasil: Além de cantar tem outro Hobby?

Elzelina Dóris: Sim. Pratico corrida de rua e quando possível sair para dançar.

Agitaê Brasil: Qual dica você deixa para os iniciantes na carreira musical? 

Elzelina Dóris: Dedicação, ser responsável e ter disciplina. 

Agitaê Brasil: Tem alguma novidade saindo do forno?

Elzelina Dóris: Sim. Passei no Mestrado e o início das aulas acontecerá em fevereiro de 2018, o título da minha pesquisa é: Samba Patrimônio. Em 2018 pretendo dar início a preparação da gravação do segundo CD.

Conheçam melhor o trabalho da cantora Dóris:

www.dorissamba.com.br

www.cantandoahistoriadosamba.com.br

www.facebook.com/dorissambaoficial